quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Os meus filhos

Os meus filhos representam quase tudo para mim! 
Elas são a prova viva de uma relação linda, de um amor puro que me nasceu no peito era ainda quase uma criança e que por condicionamento da vida hoje se mantém apenas na forma espiritual. 
O amor que lhes dedico é incondicional e nasceu-me no coração desde o primeiro minuto em que soube que eles eram como que um pontinho minúsculo e sem forma dentro de mim. 
No dia em que os vi pela primeira vez, o meu coração quase explodiu de emoção.  Sei que o misto de emoções que senti foi diferente para cada um deles, mas não na intensidade.
Depois vi-os crescer a pouco e pouco, diferentes como ainda hoje são. 
Ela querendo sempre chegar primeiro. 
Ele querendo serenidade no seu caminho.
Lamento não ter sido uma mãe mais disponível, para lhes tornar reais alguns sonhos de infância, mas pelos tantos papéis que a vida me colocou aos ombros, fiz o que podia, o que consegui...
Mas de uma coisa estou certa, proporcionei-lhes sempre um ninho confortável, onde o amor e a paz estiveram sempre presentes. 
Hoje não me culpo pelo que não consegui fazer, sei que fiz o melhor que soube... Como qualquer ser humano, não sou perfeita e estarei longe de ser uma super-mulher. 
Apesar de a vida lhes ter ceifado demasiado cedo o direito à presença do pai, também me deu a mim a força e a coragem para lhes minorar essa falta, representando os dois papéis, da melhor forma que posso e sei. 
Hoje estão adultos! Estão lindos, digo eu sem falsa modéstia! 
Cada um construiu o seu próprio ninho e eu a cada dia que passa orgulho-me mais dos seus percursos, das suas lutas e das suas conquistas.
Presentemente mantenho-me nos bastidores, sempre atenta a algum adereço que falte no palco das suas vidas. 
Amo-os muito e orgulho-me deles. Orgulho-me também por termos tido a capacidade de lhes transmitir os valores pelos quais pautam hoje as suas caminhadas. 
Como alguém disse pouco antes de partir para a grande viagem «...fizemos um bom trabalho»! 
Nunca duvidei disso!  <3


Hábitos de Antigamente

Como se fazia o sabão no período de racionamento:
Misturavam borras de azeite, toucinho rançoso esmagado, cal e potassa e depois punham  a secar.

Como esfregavam as madeiras:
As mesas e cadeiras de madeira, antes dos dias de festa ou de feira, eram esfregadas com ramos de carqueja e sabão. Só mais tarde apareceram as escovas para esfregar móveis e soalhos. 

Compras:
Tudo o que precisavam comprar, faziam-no nas pequenas mercearias. Todos os produtos eram comprados avulso, de acordo com as posses de cada família. Com 10 tostões chegavam a comprar café e açúcar. Quando iam às compras levavam os talegos de pano para trazer as compras. Grande parte dos produtos eram acondicionados em cartuchos de papel. 

Água:
Não havia água encanalizada nas casas. As mulheres iam buscá-la em quartas de barro que traziam à cabeça ou ao quadril.

Lenha:
Também a lenha para fazer lume no qual cozinhavam os alimentos era trazida do mato em feixes. Estes feixes eram trazidos à cabeça. Quem não podia ir buscá-los, ou não tinha ninguém da família para o fazer, comprava a rapazes que ganhavam a vida dessa forma. Havia também quem andasse a vender estevas e carqueja para atear o lume. 

Matança de porco:
O dia de matança do porco era dia de festa, mas também de muito trabalho. Era hábito oferecer "um presentinho" às vizinhas e pessoas mais chegadas. Este "presentinho" constava de: um bocadinho de papada, outro de entrecosto, outro de carne magra temperada, outro de toucinho e carne de ossos. 
Tudo isto era colocado dentro de uma tigela de esmalte e era tapado com um pano. Muitas vezes os "presentinhos" eram tantos que pouca carne ficava, o que causava alguma preocupação.
As pessoas que recebiam costumavam dar do que tinham, como por exemplo ovos, fruta...

Costume dos patrões pelo Natal:
Os homens que trabalhavam no campo, podiam trabalhar à jorna ou "ser justos". Os que trabalhavam à jorna, ganhavam um tanto por semana. Os que eram "justos", recebiam uma parte em bens alimentares. Nas véspera de Natal era hábito receberem um bocado de toucinho, um bocado de carne de ossos, um bocado de linguiça e outro de chouriço e uma couve, ou grãos, para o "jantar" de Natal.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Sou Pássaro Livre

Hoje sinto-me livre como um pássaro que esvoaça de asas abertas pelos céus!
Esta minha liberdade não se baseia em não ter responsabilidades nem compromissos.
A liberdade completa que sinto tem  a ver com o não condicionamento com que sigo este meu caminho.
Hoje, mais do que nunca, não quero ficar amarrada a condicionalismos de qualquer ordem, sejam religiosos, políticos, opiniões alheias, mitos, tábus...
Sou livre, porque  a lei que me rege é feita pela minha consciência e terá sempre por base o bem, o respeito, a tolerância, a amizade, o amor, a paz...
Sinto-me livre quando percorro os campos atenta apenas aquilo que escuto, contemplo e sinto, ou quando me deleito nos meus passeios rente ao mar. Em ambos os espaços sinto uma alegria imensa crescer-me no peito que se solta olhos fora através de um brilho que não vejo, mas pressinto e através de um sorriso aberto que se me desenha nos lábios.
Quando abro os braços e respiro bem fundo, sinto-me mesmo um  pássaro livre e feliz! 
Depois sinto-me livre porque nada me condiciona quando chega o momento de fazer alguma escolha ou de tomar alguma decisão que tenha a ver com o meu percurso, durante o tempo que ainda me resta para caminhar pelo trilho da vida.
Pela conciência plena que me rege, esta liberdade será sempre ilimitada, pois nunca irá colidir com  a liberdade e respeito por nada nem por ninguém..
Deste modo, apesar de toda a minha condescendência e tolerância, algo de que nunca abdicarei é do direito à minha tomada de decisões e às minhas escolhas.
Todos têm perante a Vida, o dever de procurar um estado de perfeito bem-estar, no qual estão incluídas a Paz, a Alegria e a Felicidade! 
Quase sempre é no meio da simplicidade que o alcançamos...
Todos têm o dever de alcançar este estado, porque acredito, foi para isso que  nascemos! 



quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Comidas de antigamente

Hoje, na Aldeia do Cano, pedi às "minhas meninas" que recordassem as comidas dos seus tempos de juventude.
Aqui fica o registo, bem como algumas curiosidades.

Pratos mais comuns para os jantares (refeição do meio-dia): 

- migas de batata
- jantares de feijão, grão, couve
- açorda
- sopas de batata com toucinho
- sopas fervidas
- sopas de sertã
- papas do caldo da couve
- papas com torresmos
- papas da água dos chouriços
- papas com figos
- papas com sardinhas

Dias de Festa
- mal-assadas  (uma espécie de papas com bocadinhos de carne frita misturada) (de manhã)
- fatias de ovos, carne de vinha d´alhos com café preto(de manhã)

 - jantar de grão com carne, linguiça e arroz ou jantar de couve com carn ede ossos, toucinho, pele e chouriço

Doces: 
- bolo da massa do pão
- Bolo de relão
- Bolo de papas
- Sonhos de papas
- Bolos de torresmos
- Filhós da massa do pão

Curiosidades: 

- Quando alguém matava porco, algumas vizinhas costumavam ir pedir alguma água de cozer os chouriços para fazer papas.

- Naquele tempo a sardinha era o peixe que mais comiam, porque era o mais barato, mas mesmo assim uma sardinha dava para três filhos. Um comia parte da cabeça, outra a parte do meio e outra a do rabo. Esta distribuição era rotativa de modo a que não ficassem sempre com  a mesma parte.

- Quando faziam papas também os filhos queriam sempre raspar o tacho. Quando havia muitos filhos, também este "prémio" ia rodando de filho, para filho. Também o hábito de lamber a colher de madeira com que se mexiam as papas, ia rodando entre os filhos, porque todos queriam lamber o "colherão".
Esta colher servia também para bater nos filhos quando eles se portavam mal.

- Quando comiam sopas de batata com toucinho, este era distribuído da seguinte forma: cada filho recebia uma talhada de toucinho (pico de toucinho). A talhada maior era para o pai. Muitas vezes a mãe nem comia nenhuma para chegar para os filhos.

- Sopa de sertã: Fritavam alho no azeite, depois punham água e quando fervesse deitavam sobre as sopas de pão.

- Sopas fervidas: fritavam o toucinho, depois deitavam água e quando fervesse deitavam as sopas de pão lá para dentro e deixavam ferver tudo.

- Quando comiam carne frita de vinha d´alhos, quase sempre só pelo Natal, cada filho tinha direito a duas talhadas, uma de carne magra e outra de carne gorda. O pai comia três talhadas. A mãe comia como os filhos, quando chegava.

- Às sextas-feiras havia o hábito de "jantarem" comida de azeite, como por exemplo feijão branco com arroz.

- À noite, à ceia costumavam comer sopas de toucinho ou açorda


sábado, 23 de novembro de 2013

O Poder da Natureza

Há já algum tempo que descobri que a  Natureza tem um poder imenso no equilíbrio do meu estado de espírito!
Esta sensação é tão nítida, que basta o menor sinal de que alguma coisa cá dentro se está a desequilibrar  lá vou eu meter-me dentro do fato de treino, calçar uns ténis e sair porta fora a caminho do campo, ou tirar o carro da garagem e seguir em busca do mar. 
Não sei qual dos dois ambientes prefiro, nem sei  se há algum cujos resultados superem os do outro. 
Tanto junto ao mar, como no meio do campo, sinto-me pequena e parte integrante do meio em que me encontro. Sinto que o ar desce e vai até ao fundo, desfazendo aquele novelo que de vez em quando se avoluma no meu peito. 
Quando me vejo sozinha, estico os braços, abro as mãos e sinto como se a Vida me estivesse a oferecer toda a Paz e todo o equilíbrio que me estavam a faltar! 
Depois já com o olhar sereno deleito-me a observar tudo o que me cerca, a escutar todos os sons que chegam até mim, os aromas e fico encantada com tanta beleza que está ali à minha disposição, chegando a emocionar-me.
A pouco e pouco sinto crescer-me uma Alegria imensa que me traz vontade de rir, de cantar, de correr e saltar. Sinto também uma energia e uma coragem imensas para enfrentar todas as situações, para vencer todas as dificuldades. Sinto-me um ser humano abençoado pela Vida e acredito que só coisas boas podem vir ter ao meu caminho. 
Nesses momentos, ainda bem que estou sozinha, porque quem me visse julgaria que tinha enloquecido... Mas a ser assim, seria uma santa loucura, esta que me faz sentir esta indescritível Alegria Interior.






Uso do Tangram com Idosos

Já havia tempo que não passava por aqui!
Não porque tenha estado parada, mas porque tenho tido actividades a mais e o tempo não estica, por muito que eu o desejasse.
Continuo com os meus três grupos, desenvolvendo as actividades habituais e outras que a minha capacidade criativa me vai ajudando a descobrir.
Ultimamente comecei a experimentar um novo material, que também utilizava com os meus alunos - O Tangram.
Para quem não conhece o Tangram compõe-se de7 formas geométricas, com as quais se podem formar um número imenso de figuras, juntando as várias peças. Os esquemas com as figuras são disponibilizados para observação. 
A dificuldade está em escolher as peças correctas e ainda mais em colocá-las na posição adequada.
Os exercícios que se podem realizar com este material implicam o funcionamento do cérebro, a observação e também a destreza manual.
Penso que foi uma boa aposta e tem despertado o interesse das "minhas meninas", onde já foi experimentado.
 Com a repetição dos exercícios, começaram a ganhar gosto pela actividade e motivação para construir novas figuras. 




segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Compromisso com a Vida

Durante anos dava graças quando chegava  a noite, porque ela me trazia  a leve esperança de que o tempo de estar por cá poderia ter chegado ao fim!
Depois cada acordar, trazia-me a triste desilusão de que pelo menos ainda por mais um dia o suplício iria continuar.
Foi assim que vivi, durante mais de três anos, em que os únicos momentos em que me sentia viva, era quando me dava aos outros e me esquecia de mim.
Tive a benesse de trabalhar com crianças e de adorar o que fazia e depois descobri o voluntariado. Estou certa que foram estes os pilares que me sustiveram, além da ideia de que os meus filhos dependiam de mim e eu não podia ser egoísta e simplesmente abandoná-los à sua sorte e fugir antes de tempo. 
Cheguei a sonhar com o dia em que eles deixassem de precisar de mim e eu pudesse viajar sem me sentir culpada... Só pensamentos de quem não está bem...de quem está inconsciente... os filhos precisam sempre dos pais... 
Estou a partilhar estes momentos já distantes, não para que haja lágrimas ou lamentos, mas para que não haja dúvidas que tudo muda, tudo passa, tudo se ajeita...
Depois da primeira grande ajuda que a psicoterapia me forneceu e das ferramentas que ela me deixou, aprendi a descobrir outras fontes para me fortalecer. Chegaram-me às mãos muitas leituras, pessoas, ensinamentos, sem que eu me mexesse para os procurar.
Foi assim que me ergui de vez e que enveredei por um novo caminho.
Nesse caminho que encetei, só desejava encontrar Paz e Alegria de viver
 Depois fui descobrindo que afinal havia também uma outra forma de ser Feliz, um pouco diferente daquela que conhecia. Habituei-me a ela e fui saboreando essa nova forma de Felicidade. 
Continuei a dar-me aos outros, centrando nos seus sorrisos e na sua alegria, esse estado de bem-estar que me fazia saltar o coração no peito e acender luzinhas no olhar.
Apesar de todo o bem-estar que alcancei, e apoiada em tanto que tenho lido e pensado, decidi que não poderia esquecer-me de mim. Havia chegado o tempo de retirar uns momentos para me olhar, para me mimar...
Fiz então um Contrato com a Vida, no qual me propus viver cada momento de acordo com a minha consciência, abraçando o medo, em vez de deixar que ele me anule a coragem. 
Decidi viver, perdoando, não guardando mágoas no coração, tolerando, respeitando, mas não abdicando da liberdade a que tem direito, quem tanto dá de si, sem prejudicar ninguém. 
Sei que a ampulheta da vida a cada dia que passa, vai ficando mais vazia, por isso quero manter o olhar límpido para observar todas as belezas que me cercam, os ouvidos atentos para escutar e o coração leve e puro para continuar  a ter a capacidade de sentir e de amar tudo e todos que me cercam.
Em resumo, este meu Contrato com a Vida é de acolher tudo aquilo que a vida colocar no meu caminho, com  a certeza de que esse é o meu dever e de que tudo fará parte da missão que me trouxe a este mundo.