domingo, 31 de março de 2013

Paz

Quanto a mim, o estado de espírito que anda de mãos dadas com a verdadeira felicidade, é o estado de Paz! 
Só em Paz poderemos saborear tudo aquilo que a vida tem e está disposta a oferecer-nos.
Se o nosso espírito não se aquietar, tudo nos passa ao lado.
Perdemos de vista as belezas que nos poderiam encantar.
Aos nossos tímpanos não chegam as melodias mágicas que percorrem os céus e os mares.
As nossas mãos não partilham o toque perfumado dos aromas da terra.
Os nossos lábios perdem milhentas oportunidades de sorrir e o nosso coração decresce-nos dentro do peito. 
Mas se formos bafejados pela capacidade de atingir um estado de Paz, aí somos donos de nós e quase nos sentimos donos do mundo, ou pelo menos unos com ele. 
A Paz acalma-nos a mente e tornamo-nos mais inteligentes.
Em Paz vemos tudo de longe, pelo que os problemas não se nos afiguram tão grandes, porque quer de um lado, quer do outro, vemos outras coisas, algumas delas, possíveis soluções.
Pela descoberta feita, deixei de ambicionar voltar a alcançar a felicidade que já vivi um dia, a única forma de ser feliz de que era conhecedora.
Hoje a graça que peço à vida, é que consiga alcançar a Paz.
Sei que se ela reinar no meu peito, poderei desfrutar de tantas maravilhas que, apesar de não atingir a felicidade de antes, o meu coração será será inundado por uma alegria mágica que me dará a sensação de que a felicidade está comigo, embora com uma roupagem diferente.
Por isso, quando a tristeza ameaça bater-me à porta, eu não lhe recuso a entrada, mas recebo-a com serenidade e aceitação, fazendo com que a Paz a supere.
A partir desse momento, resguardo-me no silêncio e aos meus olhos e aos meus ouvidos chegam múltiplas bençãos que a vida tem ao meu dispôr, para me mostrar que está comigo, guardando-me e protegendo-me. Sentindo tudo isto, respiro fundo e  dou graças, abençoando as dádivas da vida!
 Fica-me a nítida sensação de que estarei sempre acompanhada.


sexta-feira, 29 de março de 2013

Tradições da Páscoa (cont.)

Esta tarde estive no Centro de Dia e voltámos a conversar sobre a Páscoa. 
Falámos sobre mais alguns hábitos que havia antigamente e que foram caindo em desuso.
Na Quinta-Feira, trabalhavam no campo até ao meio-dia e na Sexta-Feira só iam da parte da tarde. Nestes dias ninguém comia carne, só peixe.
Os mais pobres, como não tinham dinheiro para comprar borrego,  no Dia de Páscoa, comiam jantares de grão ou de couve, ou guardavam um coelhinho para matar nessa altura. Também havia quem matasse uma galinha, mas galo ou frango, não era permitido. Falaram também nos "molhos de borrego".

Molhos de borrego: Lava-se muito bem o "bucho" de borrego, esfregando com cal e raspa-se até ficar branquinho. Depois escalda-se.  Corta-se ao bocados que se enchem e cosem à volta com agulha e linha. 
Recheio: Faz-se uma conserva com o sangue do borrego cozido com sal e esmagado depois de frio, com muita hortelã picada, salsa, cebola e toucinho aos bocadinhos pequeninos. Estes enchidos são muito bons para pôr nos "jantares" de grão e de feijão com favas. 
Eu gosto muito e fiz várias vezes! Dá muito trabalho, mas são muito bons mesmo!

 No que diz respeito a bolos e doces, foi-me dito que as famílias mais pobres, se comiam fatias de ovos nesse dia, já era muito bom. 
Havia também quem fizesse o bolo da massa do pão.

Bolo da massa do pão: Batiam-se 3 ovos e juntavam-se à massa do pão. Depois amassava-se tudo muito bem, punha-se numa forma e ia ao forno. 

Fiquei a saber que na parte da tarde de Quinta- Feira até ao meio dia de Sexta-Feira  não se podia  varrer a casa, nem mexer na terra.
Na Quinta-Feira podiam lavar roupa, mas não podiam torcê-la, tinham que a estender encharcada. Justificam este  procedimento com o facto de ter sido neste dia que foram estendidas as cordas com que amarraram Jesus Cristo.
Nesta tradição, o dia não teve consenso, pois houve quem dissesse que era na Quarta-Feira.

Tradições da Páscoa

Falando com as "minhas meninas" sobre como era comemorada a Páscoa antigamente, aprendi algumas coisas e recordei outras que a minha mãezinha me costumava contar.
Muitas contam que, no caso das famílias mais pobres, era um dia como os outros, mas os mais abastados e até os mais remediados, comemoravam esta época festiva, de acordo com a s suas posses.

Comidas tradicionais:

- Quem tinha ou podia comprar, comia sempre borrego ou as suas miudezas. Faziam com batatas, ou arroz, ou em ensopado. 
- Poucas falaram dos folares, mas em bolo da massa do pão a que davam o nome de "enxovalhada". Costumavam também fazer filhós.

Contrato da Páscoa:

Quer no Cercal, quer em Colos falaram-me nos célebres contratos que se faziam entre a rapaziada da época. Os dizeres do contrato é que variavam, assim como aquilo que combinavam e a data em que este terminava. 
O objectivo deste contrato era receber amêndoas . Quem perdia tinha que oferecer um cartuchinho de amêndoas ao outro. Nessa altura as amêndoas vendiam-se avulso. Combinavam também quantos tostões de amêndoas deveriam oferecer.
Há quem diga que faziam o contrato logo a seguir ao Carnaval, outros 15 ou 8  dias antes da Páscoa, ou antes do dia da Procissão do Senhor dos Paços, como era em Colos. 
Este contrato era normalmente feito entre 2 raparigas ou um rapaz e uma rapariga. 
Contam que ligavam um dos dedos mínimos e diziam: 
Contrato, contrato, contrato fazemos, sábado de aleluia  acabaremos ou desmancharemos. Combinavam também alguma brincadeira para fazer durante esses dias sempre que um avistasse o outro. Ex: puxa a orelha, puxa o nariz...

Em Colos deram-me outra versão: 
Fazemos contrato, contrato fazemos, rezamos às almas, às almas rezaremos, no sábado de aleluia, oferece e reza. 
Cada vez que se encontravam, o que via o outro, dizia:
- Reza - e o outro tinha que ajoelhar e rezar.

Quando chegava o sábado de aleluia ou o dia do Senhor dos Passos, andavam todos escondidos, para não se deixarem ver e não terem que dar as amêndoas e mais ainda desejosos de receber. Por vezes eram as mães ou outros familiares que ajudavam a descobrir onde estavam os outros, para conseguirem ganhar.
Quando um avistava o outro, gritava:
- Oferece 
Esse tinha que oferecer  as amêndoas.
As minhas amigas recordaram vários episódios desse tempo, muito engraçadas! 

quinta-feira, 28 de março de 2013

Tarde de 27 de Março em Colos

Ontem à tarde foi tempo de actividades no Lar de Colos! 
Depois dos cumprimentos habituais, que têm que ser sempre individualizados, propus como tema de conversa, a Páscoa de antigamente. 
Falaram-me da Festa do Senhor dos Paços, que já no tempo da sua juventude se realizava em Colos. Falaram-me das comidas e doces que habitualmente se faziam  pela Páscoa. Recordaram também os célebres "contratos" que costumavam celebrar-se entre raparigas, ou raparigas e rapazes, para ganharem as amêndoas. Deixarei aqui  um texto específico sobre estas matérias.
Depois seguiu-se a Hora Do Conto, com a leitura de alguns Contos Tradicionais, que trouxeram à lembrança, outros semelhantes que algumas amigas contaram. 
Houve ainda tempo para o Jogo dos Provérbios e a repetição de algumas poesias e lengalengas.
Depois veio a hora da Actividade Física, que decorreu no Refeitório com grande entusiasmo e animação. Desta vez levei os bastões e como sempre realizámos exercícios variados, de pé, outros sentados, trabalhando as pernas, os braços e o tronco. 
De semana para semana nota-se que a capacidade de resistência tem uma evolução satisfatória assim como a forma como realizam os exercícios. 
Dentro de pouco tempo quero introduzir garrafas de água das mais pequenas, para a realização dos exercícios de braços. 

Em preparativos

Grupo em actividade




No 1ºandar também foi possível realizar algumas actividades!
 Contei-lhes 2 contos, realizei com eles alguns exercícios muito simples com bolas e fizemos também alguns exercícios de elevação de pernas. 
Como já tenho aqui deixado várias vezes, os amigos que aí se encontram estão muito limitados, quer a nível físico quer mental. Tudo o que se consegue fazer, por muito pouco que seja, é sempre o máximo. Tem que se estar constantemente a chamá-los à realidade, porque de outra forma, alguns nem começam e outros param no meio da actividade. 
Quando eles participam e sorriem, a tarde está ganha!

De regresso ao rés-do-chão, apesar da hora já ir bem adiantada, ainda houve tempo para mais um bocadinho de conversa e de encerrarmos a sessão com umas cantiguinhas, para nos despedirmos de forma animada. 
Quando olhei ao relógio, pensei... cada dia mais tarde...um dia ainda cá fico a dormir...

Quero deixar aqui as fotos dos trabalhinhos de Páscoa que os "meus meninos" fizeram com a ajuda da animadora. 
O copinho que vão receber com amêndoas no Dia de Páscoa e uma lembrancinha que irão oferecer a um dos familiares que os for visitar. 


terça-feira, 26 de março de 2013

Actividades do dia 26 de Março no Centro de Dia

Mais um dia de Actividade Física no Centro de Dia da Casa do Povo de Cercal do Alentejo! 
Hoje juntou-se ao grupo mais um atleta!
Já havia tempo que andava a tentar convencer este amigo e hoje foi o dia da decisão. Para principiante, portou-se muito bem! 
Ao menos já temos dois membros do sexo masculino. Ainda é pouco, mas estou esperançada de que ainda vou convencer mais outro!
Hoje demos início à utilização de um novo material de apoio: as garrafas de água. 
Como desde que dinamizo esta actividade ainda não tinha utilizado este material, enchi as garrafas só até meio, mas houve logo quem dissesse que eu as estava a chamar de «moles». 
Ficou assente que da próxima vez em que voltarmos a utilizar as garrafas, encherei a maioria delas.
A participação foi activa como sempre e a música bem animada também ajudou. 
Fica aqui a reportagem fotográfica possível: 



sexta-feira, 22 de março de 2013

Tarde de 22 de Março no Centro de Dia

Mais uma tarde bem animada no Centro de Dia!
Como tema de conversa escolhi as tradições da Páscoa. Falaram-me nos célebres Contratos de Páscoa de que deixarei aqui o registo outro dia. Já tinha feito esta recolha em Colos e verifiquei que havia algumas diferenças relativamente ao texto do Contrato.
Registei ainda algumas lembranças das minhas meninas.
Seguidamente li-lhes alguns Contos Tradicionais Portugueses  e treinámos a memorização de poesias e lengalengas. Também lhes passei algumas gravações feitas em Colos, que escutaram com muita curiosidade.
O tempo restante foi para nos divertirmos em conjunto! Desta vez coloquei em jogo várias bolas ao mesmo tempo, para fazerem lançamentos à vontade e foi mesmo divertido! 


Lembranças de Colos (cont.)

Pensar a Vida

Mote
Pensei, que pensar a vida
não dei a vida pensada.
Não pensei  a vida bem,
pensando, não pensei nada.

Eu pensei naturalmente
que o pensar, é que valia.
Pus-me a pensar um dia
no pensar da outra gente.
Pensei daqui ao diente,
eu vou pensar à medida,
pensei uma coisa parcida
e estava de caso pensado
pensei que pensar a vida,
pensei e fiquei enganado.

Pensei o mais natural,
pensei com toda a certeza,
pensar bem não é   fineza
quando não se pensa mal.
Pensei uma coisa tal,
pensei até de manhã.
Pensei não há mais ninguém
que pense neste período.
mesmo  pensando isto tudo
não pensei a vida bem.

Pensei de livre vontade
que a pensar ninguém me obriga.
Há quem pense e até diga
que o pensar não é verdade.
Pensei que era a liberdade,
saiu-me  a  conta  furada.
Não pensei a tabuada
nem coisa que se  pareça
e já me doía a cabeça
mas não dei a vida pensada.

Pensei ao longe e ao perto,
pensei de toda a maneira.
Pensei não batia certo.
Pensei uma grande asneira.
No arraial de uma feira
pensei que  havia tourada.
Pensei que à porta fechada,
tinha que tirar bilhete,
não pensei que se aproveite.
Pensando, não pensei nada.

D. Idália recordou mais uma poesia do seu pai.