quarta-feira, 17 de maio de 2017

Dia de Aniversário

O dia deste meu aniversário, foi de grande intensidade! Um misto de estados de espírito, de emoções e até de lágrimas com diferentes sabores....
Porque voltei a ter a meu lado, alguém que me ajuda a levantar, quando eu dou sinal de que vou cair, arrumei a melancolia da véspera, antes de me despedir desse dia!
Acordei decidida a fazer algo que nunca tinha feito até então. 
Era esse o presente que iria oferecer a mim mesmo. Aceitar o desafio de fazer algo de novo, no primeiro dia dos 59! 
Embora hesitante, quis por-me à prova e fui adiante com a decisão há dias tomada.
Mas o lugar onde me dirigia, puxava-me para o passado e o novelo começou a crescer no peito. Juro que queria voltar ao Agora, mas tudo me puxava para o antes.... tão antes.... 
Felizmente conheço as ferramentas milagrosas que me curam nestas ocasiões e usei-as sabiamente...
Felizmente voltei ao Agora e deliciei-me com o chilreio das aves e a música agradável que soava no coreto do jardim, apreciei a imponência da torre do castelo e a alma foi ficando leve, o ar deixou de doer ao descer e o coração começou a encher de alegria e gratidão.
A força cresceu e eu caminhei confiante, entre a euforia da vitória e a serenidade.
Ao inicio da tarde, estava a saborear tranquilamente um delicioso almoço, num espaço maravilhoso de Beja- Restaurante Vegetariano Sabores do Campo! 
Era este o meu desafio, algo que até hoje nunca havia feito, fora aquelas refeições forçadas que tive que fazer, entre consultas, visitas a hospitais, diligências.... 
Assim, almoçar serenamente, comigo mesma, foi a primeira vez! As tais pequenas coisas, que afinal são grandes! 
Nunca é tarde, para nos superarmos, para fazermos algo de novo, pensava eu, quando descobri que também é sempre tempo de ser surpreendida como nunca antes havia sido... 
Cheia de emoção, com o coração a fervilhar de alegria e felicidade e a alma cheia de Gratidão, fiz- me à viagem de regresso!
O resto do dia, foi cheio de afectos, de carinho, de amor... 
Lágrimas? Muitas, mas boas...
Como perguntava o meu Dioguito, depois de ao telefone ter cantado para mim - Avó Luísa, tens lágrimas boas?
- Tenho sim, amor e as lágrimas boas, não fazem mal, são sinal de que estamos contentes, felizes...
Assim terminei o dia do meu 59ºaniversário, com muitas lágrimas boas, rodeada de amor e carinho, com todos os que amo, no coração, nunca esquecendo os que já estão do outro lado da Vida,  com tantas demonstrações de amizade e carinho  que me chegaram de longe e com quem tenho hoje a meu lado, que me conhece tão bem e me mostrou mais uma vez que lhe descobri o lado de dentro, quando lhe aceitei a mão, para caminharmos lado a lado.... 
Como não sentir Gratidão por tantas bênçãos? 


terça-feira, 16 de maio de 2017

Mais um Aniversário

Está a chegar mais um aniversário!
Mais um ano e ultrapasso a barreira da cinco décadas...
Aceito com naturalidade todas as mudanças que vão ocorrendo no meu corpo. Afinal ele é apenas um invólucro daquilo que eu sou de verdade! É ele que permite manter-me por este lado da Vida, por isso o respeito e faço os possíveis para cuidar dele da melhor forma.
Respeito-o tanto que pondero dar-lhe alguma utilidade quando deixar de ser útil para mim... 
As marcas que o tempo vai deixando, vejo-as como reflexos de desafios superados, de momentos vividos, de aprendizagens feitas...
Não temo o dia da partida para a grande viagem, costumo pensar que se continuar a viver cada dia da melhor forma, não guardando nada para fazer, nem para dizer, não guardando mágoas, nem rancores, a mala está sempre pronta, é só pegar e seguir, rumo à eternidade...
Mas como aprendi a ser uma pessoa mais positiva do que era antes, acredito que ainda terei uns 20 anos  à disposição para ser autónoma e continuar a fazer aquilo que gosto e me deixa sentir felicidade! 
Com as experiências que tenho vivenciado, aprendi a respeitar o tempo, essa dádiva de valor inestimável que nos é ofertada, para gastar no momento presente....
Ao final de cada dia, questiono-me sempre se o aproveitei da melhor forma e repito a promessa de o valorizar e respeitar cada vez mais. 
Data de aniversário é sempre mais período de balanço, que de festa. Não cresci habituada a festas e se é coisa para a qual já acho tarde fazer mudanças, é esta. Mantenho esta ideia, porque considero ser um assunto  de menor importância! 
Desse balanço, fica um sentimento de Gratidão, porque os momentos bons, superaram sempre os outros.
Porque a força e a coragem chegaram sempre quando eu achava que não ia aguentar mais.
Porque vivi sempre em ambiente de Paz e Harmonia! 
Porque tive o privilégio de ter uma profissão que desempenhei com alegria e prazer, porque o fazia  por vocação.
Porque cedo aprendi a amar e fui amada!
 Porque cedo construí uma família num ninho onde o Amor a a Paz  nunca faltaram.
Porque desse amor resultou a família linda que hoje tenho.
Porque fui ganhando verdadeiras amizades.
Porque até no Outono da Vida, tive a coragem de recomeçar, tendo  novamente. um ambiente de bem-estar e harmonia.
Enfim, posso dizer que estou de bem comigo, com a vida e com o Universo!
Que mais posso desejar para mim?
Que venham os tais 20, com o máximo de sabedoria e saúde! 
Obrigada Deus/Vida/Universo! Obrigada, família! Obrigada a todos quantos me cruzei nesta minha caminhada, a uns pelo carinho, a outros pelas aprendizagens!


sexta-feira, 12 de maio de 2017

Gratidão

Há coisas que só a Vida nos ensina, com tempo, com paciência, com desafios e provas a que vamos sendo sujeitos durante a nossa caminhada.
Já li que certas pessoas são colocadas no nosso caminho para nos transmitirem lições, para nos fazerem crescer espiritualmente...
Hoje, com alguma sabedoria de reflexões feitas, descobri que lucrei imenso ao longo dos anos por situações menos agradáveis, pelas quais passei.
Aprendi a tentar ser justa, por algumas  injustiças de que fui alvo desde muito cedo.
Respeito toda a gente, porque senti na pele, a dor da humilhação no final da infância e na adolescência.
Sei que fui melhor professora, porque Nunca iria repetir atitudes de professores/as que tive ao longo do meu percurso escolar.
Mais tarde, na vida adulta, lidei com algumas pessoas que mostraram um lado que eu jamais poderia aceitar no meu caminho e muito menos para minha própria conduta. 
Aprendi a ser eu, reagindo de acordo com a minha essência e a não aceitar aquilo que não está de acordo com os meus princípios de verdade, lealdade, tolerância, respeito e principalmente de honestidade.
A todos aqueles que não foram leais para comigo, que me humilharam, que me maltrataram e magoaram, o meu Muito Obrigado!
Sem eles seria com certeza  um ser humano menos rico, menos tolerante, menos humilde, menos doce e não teria esta capacidade de amar que tenho hoje, nem tantas pessoas que me querem bem.
Seria certamente uma pessoa menos Feliz!
Por tantas razões de peso, perdoei a todas essa pessoas e estou-lhes imensamente Grata! 
Para elas, todo o bem do Universo! 


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Um dia o medo perdeu para o Amor

Chegam nítidas as recordações daquele dia de Maio ou Junho...
Com o coração apertado pelo medo, segurei a mãe do pai e puxei-o para o quarto. 
Olhando-o nos olhos, disse: Estou grávida!
Ele abraçou-me , naquele abraço que cura tudo, que empurra para longe todas as nuvens escuras, para que tudo fique a brilhar em redor e disse: Fico tão Feliz! Vai nascer e nada lhe irá faltar!
Foi como um bom presságio! Daqueles que vão direitinhos ao Universo.... ao Céu.... a Deus....
Depois dobrou-se, passou as mãos pelo meu ventre,beijou-o e voltou a dizer- Estou tão Feliz! 
Veio o abraço de novo, molhado de lágrimas de alegria, felicidade, esperança e de uma força que queria muito tapar o medo...  O tal medo que nos trazem aqueles pensamentos começados pelos tais E se... 
Conseguimos calar todos os Ses e fomos buscar a nossa menina linda, a nossa princesinha adorada e dissemos-lhe: Vais ter um mano ou uma mana! Queres?
E quando vimos as estrelinhas do seu olhar a piscar com mais intensidade, foi-se o resto do medo, foram-se todos os possíveis pensamentos começados por todos os Ses negativos...
Em lugar de tudo isso, ficou um abraço maior, feito de mais braços, mais sorrisos, mais risos e com a certeza de que tudo iria dar certo, tudo se iria compor e que o nosso lar de amor, iria ficar mais povoado... 
Hoje, 32 anos depois, embora em lados diferentes da Vida, confirmamos que assim foi!
Esse menino que nos escolheu, sem que nós estivessemos à espera, chegou, cresceu lindo e saudável, rodeado de amor, chegando-lhe às mãos as coisas no momento em que lhe foram necessárias e hoje é um homem de quem muito nos orgulhamos!
Ainda bem que a coragem que o amor fez  crescer em nós, venceu o medo e anulou os pensamentos dos Ses e focou-se nos melhores pensamentos!
Ainda bem que confiamos na Vida!
Ainda bem que ele nos escolheu como Pais! 
Ainda bem que me escolheu para sua Mãe! 
Ainda bem que a Felicidade reina quando os manos partilham momentos! 




quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Meu Anjo do Céu


Aproxima-se a data que durante alguns anos me doeu tanto...
Com a sua proximidade, aumentava a dor que parecia rasgar-me por dentro. Quando chegava o dia, sentia que pouco havia inteiro em mim....
Depois com o tempo, a pouco e pouco esse efeito destruidor foi atrasando, depois os efeitos minimizaram e agora, ao aproximar-se sinto uma grande tristeza que me aperta o coração e por vezes molha-me o rosto...
Estou certa que antes sofria mais por mim mesma.... Sentia-me só, perdida.... sem chão... sem vontade.... sem coragem.... sem vida....
Hoje a tristeza que me invade, é por ele, meu companheiro de longa jornada, meu amigo do céu. Por ele que partiu.. Pelo que perdeu.... Pelo que aqueles que mais amava perderam com a sua ausência...
Ao pensamento as memórias chegam com mais frequência, porque, independentemente das datas, elas estão sempre a saltar do baú secreto.... não há chave que as mantenha fechadas....
Sei que não foi uma relação perfeita. Talvez hoje as imperfeições fiquem mais claras, mas continuo a sentir que o bom sempre prevaleceu, porque havia algo para além de tudo.... algo para além do que se passava cá fora.... algo que vinha do fundo de nós.... talvez para lá de nós... algo que fazia  adivinhar palavras, pensamentos...até silêncios...
Dou por mim a pensar o quanto preferia que o nosso amor tivesse terminado e ele se mantivesse do lado de cá da vida, a amar e ser amado por outro coração que não o meu... a viver feliz... a ver com os olhos do corpo a felicidade daqueles que foram feitos de nós... Enfim.... Sonhos... Como se fosse possível outro amor dele ou meu, se o meu companheiro de longa jornada se mantivesse do lado de cá... 
Hoje esse amor mantém-se na forma espiritual e as memórias daquilo que um dia foi, continuam a saltar do tal baú secreto de forma aleatória, porque não há chave suficientemente forte que as prenda... 
Descobri que é possível voltar a amar, mas é impossível esquecer quem se amou de verdade...
 Agora prossigo a jornada, de alma serena, de consciência tranquila e estou grata porque voltei a ter alguém especial que está disposto a dar-me a mão e tornar a minha caminhada mais suave, mais alegre e menos solitária.
Será sempre mais agradável podermos partilhar a caminhada com quem nos entenda, nos respeite e nos queira bem...E para mim, será sempre mais gratificante ter alguém de quem cuidar...
 Assim sinto-me acompanhada dos 2 lados da vida... 
Serei eternamente grata! 



quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

A minha Mãe

Também num Dezembro, partiu a minha mãezinha! Daqui a poucos dias faz 14 anos!
A "menina" Maria Emília, auxiliar de limpeza da escola da Rua da Bica Santa.... ex-escola masculina....
São de lá as minhas primeiras lembranças...
A minha mãe contava que por milagre havia curado a tuberculose óssea para ter alta a tempo de me salvar...
Quem sabe não teria razão!
Nada é por acaso e eu tinha uma missão a cumprir, teria que ficar por cá.
Foi sem dúvida a minha melhor amiga nos tempos de adolescência. Era a ela que contava os meus sonhos, o desgosto da minha primeira paixão platónica, as mágoas que deixava que me atingissem, os efeitos da minha auto-estima quase nula...
Foi minha aliada quando a Vida me trouxe o meu primeiro verdadeiro amor. Protegeu-me e ficou do meu lado, quando fui obrigada a fazer a escolha que o meu coração ditava.
Trabalhou muito mais tempo do que a sua saúde permitia, para que eu alcançasse o meu Grande sonho, que era também o dela: da sua filha não ter um trabalho tão pesado e ser mais respeitada do que ela o era muitas vezes.
Por tudo isto, fui-lhe eternamente grata e ofereci-lhe os melhores anos do meu tempo de vida.
Era tão doce, a minha mãe!
Porém os anos de debilidade e sofrimento pintaram-lhe o coração com tonalidades de amargura... 
Também hoje elevei o meu pensamento até ela, o que estranhamente não faço com a frequência que seria natural.
Questiono-me algumas vezes acerca da razão de tal facto e a única que encontro é que vivi durante anos em função dela, vendo o seu sofrimento, ora de uma forma extremamente resignada e depois meio alienada. Talvez por isso,  quando partiu, encerrei um capítulo que evito recordar... quem sabe por medo... Medo de me esperar um sofrimento idêntico...
Mas hoje reabri a caixa e fiquei a reviver tudo, com a serenidade que o distanciamento das coisas e a evolução trazem.
Mais uma vez lhe disse como a amava e como lamentava não a ter cuidado até ao último momento...
Pedi-lhe perdão, como sempre peço, pelos momentos em que o desespero me diminuía a  paciência e a capacidade de desempenhar tantos papéis ao mesmo tempo: ser filha a tempo quase inteiro, mas também ser esposa, mãe, profissional, dona de casa...
Acredito que esteja num lugar iluminado e tenha cumprido a missão que a trouxe cá. 
Abençoo-a por me ter trazido à vida ....


A minha mãe (de pé, à direita) no antigo Sanatório do Outão, onde esteve internada durante mais de 9 meses, entre os 3 meses de gravidez e os meus quase 4 meses de vida ). Durante esse tempo esteve impossibilitada de estar comigo, de cuidar de mim.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

O meu Pai


Hoje, enquanto vagueava pelo caminho das memórias, chegaram ao meu pensamento todos aqueles que amava e já partiram para o outro lado da Vida....
Porque a data do calendário, assim o exigiu, detive-me nas memórias que guardo do meu pai.... o Senhor Fonseca... mestre sapateiro...
Partiu num Dezembro de há 26 anos...
O meu pai era um homem que guardava no peito uma revolta pelas dores que havia passado na infância e adolescência, pelas mágoas que guardava do seu próprio pai. Tudo isto lhe havia de alguma forma endurecido o coração.
Gastou o seu tempo de vida a acumular aquilo que poderia ter recebido por herança.
Apesar disso, guardo dele doces recordações de infância, como ficar na cama com ele nas manhãs de domingo a fazer-lhe penteados, as idas à praia,  quando num Natal me levou a passear ao café, ou me levava a Colos, sua terra Natal e me mostrava com orgulho à sua família...
Mais tarde, o meu espírito livre, entrou em conflito com os planos que havia traçado para mim e apesar da sua forma peculiar de tantas vezes me impedir de cumprir pequenos desejos, que na altura eram grandes, não conseguiu vergar-me à sua vontade...
Nas minhas Grandes escolhas e decisões, fui forçada a contraria-lo, porque a minha essência assim o determinou....
Entristeceu-me imenso que assim fosse, doeu-me muito, mas não permiti que a sua vontade se cumprisse e suportei a tristeza de sentir que nunca aceitou a que para mim foi a principal e Grande escolha.
Hoje, com mais sabedoria, aceito, entendo-o e sei que o fez por amor, daquela forma que ele sabia amar.
Amei-o muito e fiz tudo por ele até ao momento em que segurei a sua mão na hora em que partiu...
Hoje dediquei-lhe algum do meu tempo, falei com ele e disse-lhe que o amava muito, que sempre o amei e que muito antes da sua partida lhe havia perdoado toda a tristeza que me havia feito sentir...  
Agradeci-lhe por ter permitido que eu concretizasse o meu sonho de ser professora e pedi-lhe também perdão por não lhe ter dado essas alegrias que ele tanto desejava, mas acredito que do lado de lá, as almas recuperarão toda a sabedoria e ele terá entendido porque o não fiz.


( Praia das Furnas- Vila Nova de Milfontes, há mais de 50 anos.
O meu pai e a minha mãe, do lado esquerdo e eu, a menina de chapéu)