sábado, 11 de maio de 2013

Tarde de 10 de Maio no Centro de Dia

Ontem desloquei-me ao Centro de Dia para mais uma tarde de actividades. 
Depois da conversinha individual da praxe, dei-lhes conhecimento de uma obra recentemente adquirida, da responsabilidade de um poeta popular de S. Martinho das Amoreiras, o Sr. Manuel da Silva Graça. A obra é constituída por um elevado número de quadras sobre os mais variadíssimos assuntos relacionados com a vida do autor, com a realidade alentejana e também com assuntos de interesse nacional. 
Li-lhes diversas quadras de que mostraram gostar. 
Depois passei a gravação das cantigas de roda e dos versinhos recolhidos no Lar de Colos. Adoraram! Disseram-me que também conheciam essa cantigas e a partir daí recordaram outras e outros versinhos que recolhi com muita satisfação.
Contaram-me com faziam os bailes de roda e explicaram-me o procedimento de algumas danças, mostrando grande alegria por recordarem momentos da sua juventude. 
Algumas lamentaram-se da idade e dos males e eu como sempre, procurei animá-las e incutir-lhes o pensamento positivo de vivermos um dia de cada vez e aproveitar tudo o que temos à nossa disposição.
Dado o adiantado da hora e a proximidade da hora do lanche, terminámos as actividades, com uma alegre despedida, pois ainda cantámos 1 ou 2 cantiguinhas alentejanas.  
Ontem saí de lá particularmente feliz, porque acho que consegui motivar uma das meninas que se mostrava sempre desinteressada em relação às actividades desenvolvidas. Foi muito gratificante, porque eu vou lá com o objectivo de lhes proporcionar a todas uns momnetos de alegria, não quero de forma alguma tornar-me maçadora, porque para maçada já bastam os problemas que elas carregam. 

(Foto de actividade anterior)

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Lembranças que os cheiros trazem...

Hoje mal me levantei e abri a porta do quintal, chegaram até mim múltiplos aromas das plantas floridas da minha horta, do cheiro a terra molhada... Isto acontece diariamente, mas hoje, não sei porquê vi-me imediatamente transportada para outras Primaveras de há muitos anos atrás. 
Nessas Primaveras também havia aromas múltiplos, de flores de jardim, dos canteiros regados e de outras flores pelos campos...
Senti-me adolescente de novo, coração agitado de amor, lado a lado com o meu príncipe, aquele que passados anos virou meu rei e que mesmo tendo partido, continuará sempre a fazer agitar o meu coração, quando as recordações dos momentos partilhados surgem no meu pensamento. 
Como sempre digo, tudo para além da nossa alma é efémero, tudo passa e a vida abre-nos a outros caminhos, a outros sonhos e até à possibilidade da janela do nosso coração voltar a abrir-se, mas se há certeza que tenho, é que o altar-mor do meu peito, está ocupado e tem lugar cativo. 
Mas voltando aos aromas, voltei a ver-nos em pleno Jardim Público de Beja, a fugir aos guardas, para trocarmos um beijo, um abraço, um carinho... Tempos aqueles... 
E voltei a ver-nos passear pelos arredores, vivendo com alegria, o sentimento puro que nos enchia o peito, e que só podia ser manchado pela maldade de quem não sabia o que era a pureza do verdadeiro amor.
Com estes pensamentos a preencherem-me a mente, senti uma saudade imensa desse meu príncipe, desse meu rei, desse meu companheiro de todas as lutas, do meu amigo Maior, daquele que é hoje o meu Amigo de Céu... daquele por quem eu trocaria tudo o que tenho, para o ter aqui, deste lado da vida. 
Mas ao contrário do que pode parecer, foi uma saudade leve, terna e embora tenha aberto a torneira da emoção, creio que as lágrimas eram doces e perfumadas, tal como os perfumes que me povoavam o pensamento e o coração. 
Depois, voltei para casa e abracei-o da forma possível, dizendo-lhe aquilo que sempre lhe digo! Então, respirei fundo  e voltei completamente ao presente, com  a certeza de que ambos estamos bem, cada um na sua dimensão.



 

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Actividades do dia 7 de Maio

Na passada Terça-Feira, como é habitual, dinamizei a Actividade Física no Centro de Dia, no período da manhã. Decorreu tudo na maior das normalidades, embora o tempo de exercícios de pé tenham sido alargado um pouco. 
Realizámos depois exercícios usando os bastões, uns já habituais e outro que foi introduzido nesse dia. Certo que não tenho formação específica, mas vim de uma profissão em que frequentemente me socorria da criatividade, para estimular o interesse. Assim, respeitando as capacidades, bem como o esforço exigido,  vou descobrindo alguns exercícios novos que agradam sempre a este grupo fantástico e interessado.


Na parte da tarde as actividades desenrolaram-se no Lar de Colos. 
Depois do período inicial, dos miminhos, começámos pelo Jogo dos Provérbios, que já havia umas semanas não fazíamos, pelo menos de modo tão completo. Correu bem, fora os atropelos, porque aquelas "meninas", desde que saibam, não respeitam a vez. 
Após a leitura de alguns Contos Tradicionais, fizemos outro jogo, para exercitar a memória. Este jogo consistia em encontrar nomes de pessoas, animais, plantas, localidades, a partir de uma determinada letra. Apesar de terem revelado alguma dificuldade, mostraram interesse. Para facilitar formei grupos para encontrarem as respostas. O jogo teve continuidade após a Actividade Física, dado o interesse suscitado.
O período de Actividade Física correu muito bem, com a sala cheia. 
Nota-se perfeitamente um progresso ao nível da resistência física. Apesar de verificar progressos em praticamente todos eles, há um caso particular que me enche de alegria, que é o caso de um amigo, de 56 anos que é quase invisual e sofreu um AVC que o deixou muito limitado a nível de locomoção e movimentação. Segundo tenho conhecimento há um grande empenho por parte de todo o pessoal do Lar, para o encorajar e ele tem uma força de vontade fantástica. Tenho-lhe deixado material para  praticar ao longo da semana e  fico surpreendida com a evolução favorável que lhe noto. 
Este amigo é um exemplo de luta e coragem! Fico muito feliz, por de alguma forma, dentro do meu quase desconhecimento, o estar a ajudar. 
Como o Jogo das Palavras tivesse ficado por concluir, apenas me desloquei ao 1º andar para uma visitinha, pelo que as actividades ficaram para o próximo dia. 
As minhas amigas do Lar andam em grande azáfama com os preparativos para o tradicional mastro de Sto António. 


terça-feira, 7 de maio de 2013

Cantigas de Roda( cont.)


Maria dos Anjos

Onde vais Maria dos Anjos?
Onde vais tu a chorar?
Ai, ai, ai, vou buscar o meu marido,
ai, ai, ai, que está na venda a jogar.
Que está  na venda a jogar
como uma grande bebedeira.
Ai, ai, ai, eu casei pra trabalhar
ai, ai ai, mais valia estar solteira.
Mais valia estar solteira,
lá em  casa do meu pai.
Ai, ai, ai, como uma grande bebedeira,
ai, ai, ai, trabalhar é que não vai.

(D. Rosa, D. Idália e D. Engrácia) 

Rosa 

Oh rosa nunca consintas,
que o cravo te ponha  a mão,
que uma rosa enxovalhada
já não tem aceitação.

(D. Celísia)

Centro, Centro

Vá de centro, centro, centro
vá de centro, centro, meio
agora é que eu vou andar,
com meu amor a passeio.
Com meu amor a passeio,
com meu bem a passear,
vá de centro, centro, meio,
agora é que eu vou andar.

Quando eu disser que é pedra,
tu não digas que é torrão,
um ateima, outro ateima,
dois teimosos não se dão. 

(D. Engrácia e D. Idália)

Lindas canções... lindas melodias! Um dia ainda vamos fazer uma roda e criar um vídeo. Adorei!

Recolha de Cantigas de Roda

O Foguete

O foguete, o foguete vai ao ar
dá um estalo, dá um estalo todo chique
não há moças bonitas e belas
como aquelas da vila de Ourique.

Como aquelas da vila de Ourique,
como aquelas da vila de Garvão,
dá um estalo, dá um estalo todo chique
oh amor dá cá a mão.

(D. Maria Inácia)

O Balão
Eu joguei o balão ao ar,
eu joguei-o deixá-lo ir,
ajuntaram-se as moças todas
para ver o balão subir.

Para ver o balão subir,
para ver o balão baixar.
Eu joguei-o deixá-lo ir,
eu joguei o balão ao ar.

(D. Engrácia e D. Idália)

Andorinha

Andorinha, andar andou,
caiu no laço, logo lá ficou.
Dá-me um abraço, com desembaraço,
que a andorinha nova já caiu no laço.

(D. Idália e D. Joana)

Borboleta Branca

Borboleta branca que se atira ao ar
 Borboleta branca que se atira ao ar
 a menina.... não se quer casar
a menina... não se quer casar.
Não se quer casar, quer morrer donzela,
não se quer casar, quer morrer donzela,
quer levar pr´a cova palmito e capela,
quer levar pr´a cova palmito e capela.
Palmito e capela já não levas não,
palmito e capela já não levas não,
que este rapazinho já te deu a mão.
que este rapazinho já te deu a mão.

(D. Idália)

O Enleio
Oh enleio que te enleaste
no mais alto acipreste
Oh enleio que te enleaste
no mais alto acipreste.
Também eu me enlearia,
se o meu amor cá estivesse.
Também eu me enlearia,
se o meu amor cá estivesse.
Batam palmas, palmas, palmas,
oh amor dá cá a mão.
Batam palmas, palmas palmas,
oh amor dá cá  a mão.
dá-me cá esses teus braços,
amor do meu coração.
Dá-me cá esses teus braços,
amor do meu coração. 

(D. Engrácia e D. Idália)



sexta-feira, 3 de maio de 2013

Tarde de 2 de Maio

Ontem passei uma parte da tarde no Centro de Dia.
Começámos por conversar um pouco acerca das recordações que guardavam do Dia de Maio.
A D Maria Antónia e o Sr João disseram que costumavam ir para a Mandorelha, em família. Levavam um lanchinho (pão, um bocadinho de queijo, ou linguiça). Havia baile a toque de concertina.
Ambos recordaram como nessa altura a Mondorelha era um lindo lugar, com a Fonte de Sto António, a  Casinha das Heras, as moitas de hortencias e muita água a correr. Havia um espaço coberto de vegetação, onde havia mesas e bancos em pedra, onde as famílias podiam comer as suas merendas.
Lamentaram como aquele espaço lindo, agora está completamente destruído. 

A D.  Custódia  recordou-se de um Dia de Maio perto da Barragem de Fonte Serne. Foram de carro de parelha, para ir ao baile, mas quando lá chegaram começou a chover e tiveram que ficar debaixo do carro até a chuva parar.

A D. Ada costumava ir à Mandorelha com a família. Contou-nos também um episódio que se passou num ano em que foi à Barragem de Campilhas. Disse que levou um fogão de campismo e uma moreia para fritar e comerem lá. Quando estava a fritar a moreia, foram algumas pessoas perguntar se era para vender.
Algumas "meninas" não iam porque os pais não as deixavam. 

A D. Ilídia contou que costumava ir à Bica Santa e à Mandorelha. Falou nos bailaricos, primeiro a toque de realejo e depois de concertina. 

A D. Emília falou nas idas à Mandorelha. Diz que o lugar se enchia de gente. Levava o lanchinho da praxe, que não variava das restantes narrativas. Comentou também acerca da animação dos bailaricos. 
Esta amiga foi desencantar mais um relíquia do Cercal - Os Bailes do Picadinho (novidade para mim) ... mas isso fica para a altura da Feira de S. Pedro...

Depois desta recolha li-lhes algumas fábulas e alguns contos tradicionais.
No tempo restante "brincámos" um pouco a fazer lançamentos com uma bola. É sempre motivo de animação e permite que façam alguns movimentos, já que algumas "meninas" não participam na Actividade Física, umas por limitação, outras por  falta de vontade. 


quarta-feira, 1 de maio de 2013

Caminhando pelo campo

Mais uma vez me apeteceu sentir parte integrante da natureza! 
Está a tornar-se viciante gozar deste  prazer imenso que é caminhar livre pelo campo... 
Nestes meus passeios sinto-me completa,  de alma e corações cheios. 
Há momentos em que calo a mente, fecho o baú das memórias e prendo bem a arreata do meu coração sonhador, porque não quero andar para trás nem para diante. 
Quero somente estar ali, em cada metro de chão que piso e em cada espaço que o meu campo de visão abarca, escutando um a um os sons que os meus ouvidos captam  e cada aroma que o meu olfacto pode sentir. 
Enquanto caminho sinto uma sede imensa de abarcar tudo, mas sei que mesmo que repetisse o itinerário todos os dias, haveria sempre algo que escaparia e também tem a condicionante de que tudo muda momento a momento...
Fica-me  sempre a certeza de que cada minuto da nossa vida é precioso, pois ele jamais se repetirá... e o que não fizermos com ele, nunca mais faremos, pelo menos da mesma forma...
 Por vezes fecho os olhos e fico apenas a ouvir, cheirar e sentir... e nesses momentos sinto tanto o que vem de fora, como o alvoroço que vai cá dentro... 
Começo a contar os diferentes tipos de chilreios a que se juntam os latidos, os balidos... mas acabo por me perder nas contas... por deixar de me importar quantos são. O que importa é senti-los, naquele momento único que jamais se repetirá...
A mistura de sons e aromas faz-me sentir rios de fogo de artifício dentro de peito... e eu sorrio e torno a ser aquela criança de bibe e joelhos esfolados a correr e  a cabreolar pelos campos... 
Quando volto à adulta que sou, muitas vezes pergunto-me se estarei a ficar louca... mas depois volto a sorrir e abençoo aquela alegria interior e pouco me importa se ela será ou não sinal de demência, que a sê-lo será uma santa loucura... 
Louca ou não, abençoo a vida e dou graças por mais este dia que me concedeu, com alimento para o corpo, roupa para me cobrir, olhos para contemplar, ouvidos para escutar...coração para sentir e com capacidade para amar...


(Lamento a foto desactualizada, mas continuo com problemas com o carregamento de fotos)