quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Nova Vida

Após uma noite em que o sono mal coube, acordei de coração a transbordar de alegria e felicidade. Apeteceu-me gritar em plenos pulmões - BOM DIA, para que esse meu desejo chegasse a todos os cantos do nosso planeta e até mais além, ao outro lado onde estão aqueles que eu amei e já partiram, em especial aquele que ao fazer-me mãe, me permitiu ter alcançado a graça de ser avó. 
Sabia que não adiantava gritar assim tão alto, para chegar a todo o planeta! Então fechei os olhos e os lábios e, do fundo do meu coração enviei um bom dia cheio de energia, de amor e paz a todos aqueles que amo (familiares e amigos) e um pensamento profundo a todos os que sofrem.
Usando as palavras, apenas disse BOM DIA, á minha gata Lia, que já estava à minha espera sobre a mesa de cabeceira! :)
Depois direcionei o meu amor para o Diogo e cantei-lhe a minha canção de embalar! Esta canção de embalar é um segredo só nosso! Sei que ele gosta, porque sempre que lha cantei, ele ficou calminho e adormecia. Apesar da distância física, cantei-lha e a ser verdade tudo o que ultimamente tenho lido, ele deve tê-la sentido. 
Como referi atrás, esta noite sobrou pouco tempo para dormir! Voltei ao meu mundo e senti vontade de separar as emoções dos últimos dias, em caixinhas. Para isso tive que reviver cada uma delas, para decidir como as separar. Depois também me apeteceu abrir outras caixinhas que já tinha arrumadas na mesma gaveta das doces emoções. Então fiquei assim, durante horas a deleitar-me com todas elas e o peito foi enchendo com alegria, com amor, com felicidade e com muita paz! 
O tempo que restou, foi para recarregar as energias, para aquilo que eu sinto ser uma nova vida. Não que considere que algo que tão diferente vá acontecer, até porque vejo cada acordar, como um novo nascimento, mas após ter vivenciado esta experiência maravilhosa de ser avó, sinto-me a iniciar nova etapa, na qual espero cimentar as minhas aprendizagens em relação a esta nova forma de viver, baseada no amor pelos outros, pelas belezas da vida, pelo campo, pelo mar, pelos animais, pelas árvores, pelas flores, enfim  por tudo aquilo que é puro e belo!

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Regresso

Estou de regresso à rotina básica com que vou gerindo a minha vida. Digo rotina básica, porque sempre fui contra rotinas, por isso só mesmo a cumpro naquilo que é estritamente necessário.
Depois de ter cumprido a minha primeira fase de ser avó, com tudo o que podia dar de mim, eis-me de volta! Claro que na agenda do meu coração, estará  sempre reservado todo o tempo para quando for necessário dar-me de novo.
Espero ter cumprido bem esta minha missão! Se o nível de pontuação se equiparar ao amor que sentia brotar do meu interior profundo, então  a pontuação só pode ter sido elevada! Amor de avó, pelo Diogo e amor de mãe, pelos seus papás!
Desde há um tempo para cá, que tenho vivido um pouco em função da chegada do Diogo! 
O fazer das mantinhas, os preparativos, a ansiedade que acabou por ganhar terreno e eu dei comigo a criar como que um marco na minha vida e nos meus afazeres. Tudo foi sendo adiado para quando o Diogo nascer, ou para depois do Diogo nascer... 
Agora que estou de volta à minha vida "normal", dou-me conta de quantas coisas me apetece fazer, tenho saudades de fazer, quero mesmo fazer. 
Assim a partir de amanhã vou voltar às minhas leituras, aos meus passeios pelo campo ou pela praia, reforçar  a plantação e o tratamento da horta, retomar as atividades com as minhas velhotas, escrever...
Enfim, vou reatar esta nova relação comigo mesma e com aquilo que me torna  a vida mais colorida e me traz serenidade e alegria espiritual. Tudo aquilo que me preenche e me dá plenitude.
Ao meu netinho, mesmo de longe vou enviar-lhe em muitos momentos de cada dia, a minha energia positiva, e vou abençoá-lo com todo o meu amor.
Quando isso não bastar? Então aí, é encher o depósito e seguir viagem para o encher de miminhos!


segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Versos da D. Idália

Chorando nasci,
tinha um ano engatinhava,
tinha dois e já andava,
não sei como não morri!
Aos três anos adoeci,
ainda era de mama.
Aos quatro tinha uma dama
que aos cinco
estou bem lembrado,
já dormi na sua cama
sem precisar embalado!
Aos seis anos fui à missa
pelas mãos da minha mãe.
Aos sete me lembra bem
que eras a minha doidiça,
já ia tendo maliça,
quando os oito completi.
Aos nove te disse a ti
-Nós havemos de namorar
Aos dez posso-me gabar
já o teu rosto beiji.
Quando eu onze anos fiz,
é que eu soube
o que era amores.
Aos doze muitos calores
que me fizeram feliz
Aos treze a sorte assim quis
que nós fossemos amiguinhos.
Aos catorze muitos beijinhos
que era esse o nosso intento,
aos quinze chegou-se o tempo
de eu gozar os teus carinhos.
Quando dezasseis anos fiz
eu te disse a ti uma vez
que já poderias ser minha,
aos dezassete talvez!
Aos dezoito me entretinha
com o amor que eu acariei.
Aos dezanove pensei
que o amor tinha feição
aos vinte pensei em casar,
fui pedir a tua mão!

A D. Idália está sempre pronta para dizer uns versinhos e eu também sempre prontinha para os ouvir e claro está, para os partilhar!



Lembranças da D. Inácia

Vi lá na Serra da Armenha
um lagarto roçar lenha
para cozer amentolias.
Eu vi na feira das Pias
um chibo vendendo passas,
um burro dando chalaças,
deitando favas de molho,
nas orelhas de um piolho
vi a  lutar, duas carraças!

D. Maria Inácia - Lar de Colos

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

O Teu Sonho de Seres Avô



À medida  que se aproxima a hora que se quer de alegria, o meu peito aperta-se e a saudade cresce de forma avassaladora!
O meu pensamento quebra as amarras e vai para além da minha vontade e eu recordo de como falavas do teu desejo de seres avô!
Eu também desejava vir a sê-lo um dia, mas não o comentava, ou se o fazia, não o repetia tantas vezes como tu! 
Sim, tu repetia-lo imensas vezes e sempre que o fazias, os teus olhos cor de mel brilhavam iluminados por lágrimas de emoção! Os teus lábios abriam-se num sorriso amplo e radioso e da tua boca saíam sempre as mesmas palavras: «Vou ser o avô mais doido do mundo!»
 Agora, com esse momento a  chegar, não consigo impedir que uma nuvem de tristeza venha encobrir a alegria e a felicidade que o mesmo me transmite. 
Queria ter-te aqui por inteiro a meu lado, partilhar contigo as horas de espera e depois ver espelhado no teu rosto e principalmente no teu olhar, a felicidade da concretização de um sonho, o sonho de seres avô!
E agora mais do que nunca, desejo com toda a força do amor que vivemos, que pelo menos daí, desse lugar que te acolheu, possas ver-nos e possas de alguma forma ver realizado o teu sonho tão antigo, tão lindo e tão doce!

Lembranças da D. Rosa

O Zeca
Quando se estava a lavar
todo metido na tina
estava o Zeca a murmurar:
- Quem me dera ser menina!
- Ser menina para quê?
pergunta então a mãezinha
e que graça é que isso tinha?
E o Zequinha aborrecido
disse afastando as «gadelhas»
- Tinha o cabelo comprido
e não lavava as orelhas.

O Chico
Há dias pela mão da mãe
tique, tique rua fora,
foi ele todo contente
visitar uma senhora.
Beijos, conversas, abraços
e depois, vê-se está,
como é uso em casos tais,
servirem bolos e chá.
Na mesa um grande pudim
tentador, apetitoso!
Parecia mesmo dizer:
-Come-o grande guloso.
Partiu a senhora um bolo
E ao Chico com ligeireza
ofereceu uma fatia
das maiores, uma beleza!
Ferrando-lhe logo o dente
o pequenito comeu,
comeu e saboreou,
mas agradecer, nem eu!
Perante disparate tal
ralha a mãe com o petiz.
- Não tem boca para falar?
Vamos meu filho, que se diz?
E ele num riso escarninho,
com a boca atafulhada
- Quero mais uma fatia,
que esta está acabada! 

O Chiquinho
A mamã disse ao Chiquinho
- Não se esteja a fazer tolo
porque sabes muito bem,
neste prato falta um bolo.
Havia aqui dois pastéis
que eu cá pus ontem à noite
confessa que tiraste um
ou apanhas um açoite!
Ficou o Chico pasmado
e esteve algum tempo assim
com ar muito consternado
até que respondeu por fim:
- O quê? Ainda ficou um?
Pois tive azar a valer,
calculem, estava tão escuro
que nem o consegui ver!



A D. Rosa, que se encontra no Lar de Colos,  aprendeu estas poesias quando andava na escola e repete-as com uma entoação maravilhosa e também com grande rapidez!
Há anos, quando desenvolvi um projeto envolvendo o Centro de Dia do Cercal e a minha turma, recordo-me que a D. Rosa lhes recitou estas poesias e eles acharam muita graça.

Atividades de Segunda Feira

Tenho andado ausente do meu blog, mas por uma boa causa. O fim de semana foi muito atarefado e depois queria terminar a última mantinha do Diogo, que logo, logo está aí. 
Segunda feira, tal como é habitual, fui apoiar a aula de ginástica no Centro de Dia.  Desta vez o material utilizado foi as garrafas de plástico. Só por curiosidade quero dizer-vos que no início os exercícios eram feitos com as garrafas meias de água. Agora já são cheias e os exercícios realizados têm vindo a aumentar quer no nº de vezes em que são repetidos, quer no grau de dificuldade e as "nossas meninas" aguentam tudo sem um queixume, pelo contrário, com boa disposição e com a musiquinha a animar. 


De tarde fui até ao Lar de Colos! 
Mal entrei tive uma agradável surpresa! Fui lá encontrar uma senhora de quem eu gostava muito e que esteve aqui no Centro de Dia quando eu comecei a fazer voluntariado, há quase 8 anos. A alegria foi maior por ver que ela ainda está bem e ainda se lembra dos versinhos tão engraçados que costumava dizer. Claro que gravei logo uma série deles! Deixou-me feliz voltar a ter oportunidade de aprender com a D. Rosa! 
Iniciámos com a  atividade física, embora houvesse lá algumas "meninas" que estavam um pouco abatidas, por isso aligeirei os exercícios, para que elas não desistam e façam alguns movimentos. 
Depois li-lhes os contos "A raposa e o gaio" e "A raposa que foi ao galinheiro". A participação foi grande, como é costume. 
No espaço das lembranças recolhi várias poesias, que publicarei aqui. Não recolhi mais, porque tive que dar por terminado "o tempo de antena". Bem, isto com muito cuidado, para não melindrar ninguém. 
Antes do lanche ainda jogámos ao jogo dos provérbios, que dá sempre confusão. Há lá uma senhora que quando falamos com ela nunca percebe, temos que ir ao pé dela para ouvir bem, pois não sei como, mas não é que no jogo dos provérbios está sempre a responder na vez das outras! Toda a gente se questiona e acabamos por achar graça. 
Depois do lanche foi o tempo das lengalengas e ainda de alguns trava-línguas, um que lhes ensinei e outros que elas sabiam e por fim como não podia deixar de ser, uma cantiguinha para a despedida.
No espaço do lanche estive também um tempinho do 1ºandar, porque o Sr. Armando e a D. Beatriz ficam sempre felizes ao participar no jogo dos provérbios. Aos restantes um bocadinho de conversa, um miminho, o pegar na mão, ou uma festinha no ombro, um sorriso e pouco mais se pode fazer... 





A minha amiga Idália estava com vontade de dizer versinhos, alguns vou publicar mas há uns que não posso, ela proibiu-me, porque sabe que a família vem cá visitar o blog! 
Esta "menina" é das tais pessoas com muita força, que muitas vezes apresenta uma alegria que não sente, foi o caso da passada segunda feira.