domingo, 30 de setembro de 2012

Dia do Idoso

Amanhã, dia 1 de Outubro comemora-se o Dia Nacional do Idoso! 
Esta efeméride foi criada para chamar a atenção de todos nós em relação aos nossos idosos, aos nossos velhinhos, ou como eu gosto de dizer aos "nossos meninos de cabelos brancos". Eles merecem o nosso respeito, merecem ser tratados com dignidade, com atenção, carinho e amor. Tudo isto porque eles já nos deram tanto e fizeram-no em tempos bem difíceis, em que tinham tão pouco e em condições de extrema dureza. 
Nas minhas conversas, quando falamos dos tempos que correm, muitas dizem-me que agora, apesar das coisas não andarem bem, isto não é nada, comparado com o tempo em que eram jovens. Falam-me das necessidades que passavam, a dureza dos trabalhos... 
Desde sempre convivi com pessoas idosas a aprendi a respeitá-las e mais ainda a admirá-las, pela sabedoria que carregam com elas. 
Os nossos velhotes, quando são tratados com dignidade e respeito, libertam uma serenidade que contagia. Deixou de haver pressa, há todo o tempo do mundo, aquele que ainda lhes resta. Depois há a doçura e o agradecimento pelo beijinho à chegada, por um abraço de passagem, por um toque, um carinho...
Este meu percurso pelo voluntariado com idosos, tem-me dado muito e ao contrário deles, eu é que tenho pressa! Sim, pressa de recolher tudo aquilo que me puderem ensinar, porque  a ideia de tanta sabedoria se perder, causa-me tristeza. 
Na minha vida profissional lidava com crianças, que ficavam alegres e riam quando fazíamos coisas engraçadas, ou realizavam uma atividade para a qual estavam motivadas. O mesmo se passa com os nossos velhotes. Os olhinhos deles, mesmo a não verem já muito bem, ou até muito mal em alguns casos, brilham quando lhes leio os contos, as anedotas, quando cantamos... E quando lhes dou um miminho a alegria que brota deles, enche-me o coração. É como se o amor que lhes dou, voltasse para mim, não sei quantas vezes mais. Já tenho dado comigo a pensar que este meu gosto pelo voluntariado com idosos é um gesto egoísta, porque será que eu vou para dar, ou vou para receber? 

Centro de Dia de Cercal do Alentejo


Lar de Colos


sábado, 29 de setembro de 2012

Formas de Ser Feliz

Hoje sou feliz com esta nova forma de felicidade que descobri através das recentes leituras.
Hoje sou feliz, baseando a minha felicidade nas maravilhas que me cercam, mirando o céu e o mar, apreciando os campos e toda a vida que me rodeia.
Hoje sou feliz, agradecendo a Deus ou à Energia Cósmica, ou ao Poder do Universo, por tudo aquilo com que me presenteou. 
Dou graças pela minha família linda, pelas amizades verdadeiras que conquistei, pela minha condição financeira que me permite uma vida confortável e por tudo aquilo que tive o privilégio de me ser emprestado até hoje, em abundância.
Hoje sou feliz com esta nova forma de felicidade que antes nem sabia que existia!
Apesar disso, há muitos momentos em que regrido em toda a minha aprendizagem e volto a sentir uma imensa saudade da felicidade antiga,  a única que até há pouco conhecia! Aquela felicidade em que precisamos estar acompanhados para não nos sentirmos sós, que precisamos de nos sentir amados, precisamos de carinho, de atenção...
Mas, à medida que o peito se comprime, da mente começam a libertar-se pensamentos conscientes, que me fazem retroceder e regressar ao caminho certo. Então eu desperto e recolho-me no meu interior profundo, onde brota  a fonte desta nova felicidade que descobri, que se baseia em dar de mim, em ter pensamentos positivos, não guardar mágoas nem rancores, em ter cuidado com as palavras e não usar expressões negativas, porque tudo aquilo que der, fizer ou disser, voltará para mim ainda com maior intensidade.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

A Força dos "Acasos"

Na obra "A Insuscentável Leveza do Ser", li que quando uma relação se constrói a partir de uma sucessão de acasos, é porque está no nosso caminho, porque nos está predestinada. 
Concordo plenamente!  É como se o Céu no-la oferecesse, como uma dádiva! Ou como se tivessemos que vivenciar aquela experiência!
Assim foi a minha relação com o meu companheiro! 
Num dia de paz, em plena guerra, ele decidiu escrever um aerograma para encontrar uma amiga!
Sem ideia fixa de destino, decidiu escolhê-lo ao acaso, tendo-lhe este ditado um, em que os meus passos e os do carteiro jamais se cruzariam. 
E foi por acaso que essa mensagem foi entregue a uma colega minha, que naquele dia, em circunstâncias normais, não estaria sequer naquela localidade. 
Dias depois, foi às minhas mãos que essa correspondência veio parar. E isso só aconteceu porque naquele dia, por acaso, eu não consegui esquivar-me, por muito que o tentasse, de ir assistir a uma determinada aula e ainda por cima, obrigada a sentar-me ao fundo da sala, num lugar que me desagrava, mas que ficava ao lado dessa colega.
E foi assim, que por uma repetição de "acasos", eu soube da existência do meu grande amigo, mais tarde meu companheiro.
Depois foi obra do meu coração solidário, com tanto para dar a quem tanto precisava receber!
Mais tarde, por forças que eram adversas ao afeto que nos ligava, quase nos desencontrámos e por pouco não nos perdemos um do outro, ainda antes de nos termos encontrado efetivamente! 
Fomos salvos por mais um acaso! Mais uma vez, por mero acaso, eu não fui onde supostamente deveria ter ido naquele dia e fiquei em casa, tendo assim a oportunidade de reparar os estragos.
Até no dia em que finalmente ficámos frente a frente e nos vimos nos olhos um do outro, isso também foi fruto de mais um "acaso". Se por acaso eu tivesse ficado onde habitualmente ficava, não nos teríamos cruzado, pelo menos nesse dia.
Pela minha experiência de vida, confirmo que uma relação que nasce de uma sucessão de acasos, só nos pode estar predestinada e tem que ser abençoada pelos céus.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

O Poder das Leituras

Naquele período bem difícil da minha vida, em que  a saudade era tanta, que eu não sabia se iria resistir, vieram ter comigo as obras do Dr. Brian Weiss. Digo vieram ter comigo, porque hoje acredito que tudo o que é para nós, nos chega de um modo natural, sem que precisemos esforçar-nos por procurar. Estava longe de saber quem era Brian Weiss, por isso nunca poderia procurar as suas obras. 
Um dia alguém que me conhecia muito bem e acompanhava o meu estado, quando leu o livro "Só o Amor é Real - Encontro de Almas Gémeas", pensou que seria importante que eu o lesse e trouxe-mo. Só vos digo que me impressionou bastante!  Os relatos sobre reencarnação e reencontros entre vidas, deram-me certezas e trouxeram-me a esperança de novo reencontro.
Quando terminei a obra, procurei outras do mesmo autor ou de outros na mesma linha. Li vários livros, apenas comprei um, todos os outros tive-os por empréstimo. Não sei como, mas foi fácil ter acesso a diversas obras sobre estes temas. Parecia que vinham ter comigo, sem quase me mexer... Um dia, mal amanhecia, ligou-me uma colega a dizer-me que levara toda a noite a ler uma obra e só pensava em mim. Julgo que era também um livro deste mesmo autor.
Serenava-me a alma este tipo de literatura porque fazia-me acreditar que quem parte para o outro lado da vida não deixa de estar connosco, continua a amar-nos, perdoa se alguma falta cometemos em vida para com eles, querem que aceitemos a sua partida e estejamos em paz, pois da nossa paz depende  a deles, para prosseguirem o seu caminho, a sua evolução. 
Foi por acreditar em tudo isto, que fiz um enorme esforço para aceitar e para seguir adiante e em paz.
Entretanto ao pesquisar sobre o Dr. Brian Weiss, descobri que estava à venda um CD de meditação, traduzido em português, com o modelo que ele usa nas suas sessões de meditação e adquiri-o.
Foi mais uma experiência fantástica!
Quando me conseguia concentrar enquanto o ouvia , vinham-me ao pensamento momentos que havia muito tempo não recordava e outros que já nem me lembrava que tivesse vivido. Todos eles eram tristes, e representavam situações vivenciadas ao longo da infância e adolescência, nas quais me tinha sentido humilhada, magoada, rejeitada... Situações que, por terem sido dolorosas, tinha apagado da mente.
Quando terminava ficava em paz e ao sair à rua, parecia que tinha apurado a minha capacidade de observação. Sentia-me sobretudo serena e no coração crescia uma estranha forma de alegria que precisava partilhar com outras pessoas. 
Sei que foram estas leituras e aquilo em que me fizeram acreditar, que me forçaram a pedir ajuda especializada para me reerguer e seguir o meu caminho, para que o meu companheiro, também pudesse seguir o seu. 

Lembranças da D. Ada



O Velho, o Rapaz e o Burro

Partia o velho campónio
do seu monte ao povoado,
levava o neto que tinha
no seu burrinho montado.
Encontram uns homens que dizem:
-Olha aquele que tal é?
Montado o rapaz que é forte
e o velho trôpego a pé!
O velho disse:
Rapaz, desce do burro
que eu monto
e vem caminhando atrás!
Monta o velho e dizem logo:
Patetice tão rata
o tamanhão no burrinho
e o pobre pequeno à pata.
E então foi mais adiante
e montaram-se os dois.
Foram seguindo e disseram uns:
- Apeiem-se almas de breu
Querem matar o burrinho?
Aposto que não é seu!
Os dois apearam-se.
Foram mais adiante e disseram:
- De tudo nos têm ralhado,
agora o que mais nos resta
pegamos no burro às costas
fazemos ainda mais esta!
Pegaram, mas logo ouviram um sussurro:
-Temos o mundo às avessas,
tornados burros do burro!

Os Passarinhos

Os passarinhos tão engraçados
fazem os ninhos com mil cuidados.
São p’ros filhinhos que estão pra ter
que os passarinhos os vão fazer.
No bico trazem coisas pequenas
o ninho fazem de musgo e penas.
Nunca se faça mal a um ninho
à linda graça de um passarinho.
Que nos lembremos sempre também
do pai que temos, da nossa mãe.

Mãe

Com três letrinhas se escreve
a doce palavra mãe,
a palavra pequenina,
a maior que o mundo tem!

D. Ada (prima direita da minha mãe) tem 92 anos. 

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Atividades no Centro de Dia

Ontem, parte da tarde foi passada no Centro de Dia!
Conversámos sobre as tradições de outono.
Aqui houve quem dissesse que a tradição do Dia de Todos os Santos também foi conhecida por ir ao "Pão Por Deus", além de ir ao "Bolinho". As dádivas eram mais ou menos as mesmas: castanhas, nozes, romãs, batatas doces e havia quem desse  feijão e até farinha. 
Pelo S. Martinho referiram que ao serão comiam castanhas que assavam no lume de chão, numa panela velha e  também comiam castanhas e batatas doces cozidas. Quem tinha forno costumava assar estas batatas. Tanto as castanhas, como as batatas doces eram cozidas em panelas de barro, ao lume de chão. As bebidas eram água-ardente, ou vinho doce que também acompanhavam com "figos passados". 
 Era um serão em família, com os divertimentos habituais na época: contos, cantigas, adivinhas... 
A seguir estreámos os novos provérbios populares e fizemos um jogo. O desempenho foi muito bom, pois não houve grande diferença de pontuação e a animação foi grande. 
Depois foi a Hora do Conto em que lhes li 2 contos "A História do Senhor Manuel Valente" e "Os Três Galegos", às quais acharam muita graça.
No final passámos aos trabalhos em papel, mas como estava muito perto da hora do lanche, não deu para fazer muita coisa. Decidi que no próximo dia, esta atividade será  a primeira da tarde. 
Também planeei fazermos um painel de outono, com elementos da natureza. 
Tanto os trabalhos em papel, como o painel de outono serão depois expostos num espaço a criar na Instituição.



Era com este tipo de trabalhos que antigamente as pessoas mais pobres enfeitavam as casas. Decoravam as paredes com estas rosetas e faziam almofadas, que enchiam com restos de papel.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Intolerância

Desde ontem que este tema não me sai da cabeça. Há tantas pessoas intolerantes... Gastam demasiada energia a criticar e a julgar atitudes e comportamentos de outros. Cruzam-se com as pessoas na rua e em vez de as olharem nos olhos ou pelo menos no rosto e verem como se sentem, se estão alegres ou tristes, se lhes poderão prestar a sua solidariedade, não! Preferem reparar como vão vestidas ou com quem vão. Quando estão com alguém a quem têm amizade, em vez de aproveitarem para abrir o coração e aliviar as tristezas e desilusões que por vezes carregam, não! Gastam o tempo a falar de atitudes e decisões de outras pessoas. E pior ainda, além de julgarem, condenam sem dó nem piedade. 
Recordo-me que já na minha adolescência não pactuava com estas atitudes e muitas vezes acabava também por ser julgada e condenada por isso. Não aceitava discriminações e por vezes ia até mais longe, dava-me com colegas que dela sofriam. Nunca nada se me pegou e sempre fui dona  e senhora da minha cabeça, dona da minha vida e livre de tomar as decisões que a minha consciência me ditava. Mas irritava-me e revoltava-me! 
Hoje com mais aprendizagens feitas, já não me revolto nem me irrito e procuro ser tolerante com a intolerância dos outros. Sorrio e penso que quem tem acesso ao seu interior profundo, apenas ama tudo e todos que o rodeiam, é tolerante, respeitador das decisões dos outros e tem compaixão para com aqueles que tomam decisões erradas, mas nunca os julga ou condena. Aliás as religiões fazem-nos crescer com o medo da condenação de Deus. Talvez por isso muitas pessoas são descrentes. Deus é amor e se é amor não julga  e muito menos pode condenar!
Hoje acredito que viemos a este mundo para experiênciar diversas situações e que cada um é livre para fazer as suas escolhas. Há quem diga até que antes de reencarnarmos, escolhemos logo aquilo que vamos vivenciar... Não sei, quem sabe? As consequências, boas ou más que daí advierem, cairão por inteiro em quem escolhe esses caminhos. Quando essa escolha não assenta em traição, mentiras...quando é feita em plena liberdade, porque não? Quem tem direito a julgar e mais ainda a condenar? Se for uma escolha inconsciente, apenas devemos sentir compaixão por quem não aprendeu ainda a respeitar o seu semelhante.
Diz-se que quem julga, será julgado e quem condena, será condenado. Não sei se assim será, mas se assim for, estarei fora desta trama. Mas mesmo que assim não seja e se um dia alguma decisão minha, já tomada ou a tomar, vier a ser motivo de julgamento ou condenação, isso não me afetará, porque tal como desde sempre, sei que foi ou será sempre uma decisão consciente, cujas consequências apenas recairão sobre mim.
Para quem ainda não aprendeu a ser tolerante, deixo um conselho: Olhem para dentro de vós e busquem a vossa fonte de amor e vivam a partir dela, amem os outros com as suas qualidades e seus defeitos, ou pelo menos respeitem-nos, olhem em redor para apreciar as coisas belas que a vida tem e tomem as vossas decisões em consciência, em liberdade, sem medo de censuras, julgamentos ou condenações. 
Desculpem se feri sensibilidades, mas este é um gesto de paz e de amor!