quinta-feira, 23 de agosto de 2012

A Paixão pelo Voluntariado



A minha paixão pelo voluntariado já era muito antiga! Creio que nasceu numa aula do Magistério Primário de Beja, aquando da visita de um padre missionário. A forma como ele relatava o seu trabalho, fez nascer em mim o desejo de também eu poder viver essa experiência. Nessa altura, não fosse o meu coração ter já criado raízes que me prendiam aqui, teria ido para África com toda a coragem.
Mas esse sonho nunca foi completamente esquecido!
 Com o decorrer do tempo, a vida encheu-se de pessoas para cuidar e amar, de um trabalho que também sempre me apaixonou, pois representava também o concretizar de um sonho de infância: o desejo de ser professora.
Com a ideia de um dia me dar àqueles que de mim precisassem, sempre em mira, não deixei de incutir nos meus alunos a vontade de ser útil a quem mais precisa e a quem tem menos que nós. Em conjunto com eles desenvolvemos alguns pequenos projetos a favor de algumas instituições e de algumas causas. Enchia-me de felicidade e de orgulho ver a alegria e a entrega com que as minhas crianças se dedicavam a esses projetos a favor da UNICEF, de uma escola carenciada da Guiné Bissau, do Banco Alimentar e outras pequenas coisas.
Esperava, um dia após a aposentação, partilhar o meu tempo com atividades de voluntariado!
Mas a vida pregou-me uma grande partida, daquelas em que o chão nos foge, o céu se fecha e a estrada apenas nos conduz a um poço tenebroso que parece não ter fundo. Então fiquei condenada a sobreviver nele, alternando entre aguentar-me à superfície ou bater no fundo. Mantinha-me à tona enquanto trabalhava, porque o amor pelo que fazia me apaziguava o coração e a alma. O trabalho tornou-se a minha tábua de salvação, o meu oásis de paz, o meu anestésico…
Com a aproximação das férias de verão, consciencializei-me de que tinha que encontrar algo que me tirasse daquela casa, que de repente crescera em todos os sentidos, que me sufocava e me estrangulava. Então acendeu-se uma luzinha no meu coração que me fez vislumbrar o único caminho que me garantia a sobrevivência: Fazer voluntariado no Centro de Dia de Cercal do Alentejo!

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Olhar em Volta


                                          
Cada vez os afazeres da vida mais nos atropelam e cada vez mais nos vemos mergulhados numa sociedade consumista e individualista, que nos impede de olhar à nossa volta. 
Cada vez mais nos esquecemos que, muitas vezes, o que de mais importante podemos dar aos outros, não se encontra à venda em qualquer centro comercial. 
O que de mais valioso podemos partilhar com quem está à nossa volta, às vezes até nem custa dinheiro e está à nossa mão, basta abrirmos o nosso coração e darmos um pouco de nós, do nosso tempo, do nosso afeto e da nossa atenção. Se estivermos atentos e olharmos à nossa volta descobrimos olhares sem luz e bocas que já se esqueceram como se abrir num sorriso. 
Dentro do peito, todos temos uma paleta mágica, com a qual podemos pintar sorrisos e restituir o brilho a olhares vazios e perdidos. E esse brilho e esses sorrisos que pintarmos, podem crer, aquecem-nos a alma e enchem-nos o coração de felicidade, porque o que recebemos de volta, é sempre muito mais, do que aquilo que damos.
Também um dia se me apagaram as luzes do olhar e os sorrisos dos lábios, e foi pintando sorrisos e brilhos noutros olhos, que como os meus não brilhavam, que descobri que as dores ficam menores, a alma mais serena e o coração mais quente quando olhamos à nossa volta e damos um pouco de nós aos outros.